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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Apenas um flerte













A brevidade se resume num giro
de um sopro num cisco.
As coisas giram seguindo a rotação
posto que é lei do sistema dançar sem sair do lugar.
E é uma dança lenta, sedutora,
que deixa cores, olhares, sorrisos,
sabores, lugares...
Depois tudo se adentra
no lugar sagrado a que chamamos memória e,
uma vez lá dentro,
fica guardado com o restante do universo
e não se congela,
não adormece em esquecimento.
Por tornar-se lembrança,
pode voltar à tona a qualquer momento
e assim, num flerte de prima-dona nos envolve
feito um golpe
numa viagem para dentro de nós.
Quando voltamos desta expedição,
somos mais velhos.
O espaço íntimo é infindo
porque a sua extensão é de infinito
e nos revela infinitos também.
Assim, um giro de um sopro num cisco,
um olhar, um sorriso
são tesouros do além,
mas não do além-futuro que degustaremos.
Essas coisas pertencem ao passado guardado,
história contada daquele primeiro dia
em que nos encontramos;
daquele primeiro olhar,
da primeira palavra dirigida e do sorriso.
Sejamos, pois, felizes!




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domingo, 28 de dezembro de 2014

Flauta















Toca, vento, a flauta de mamona,
e atiça essa dança
em quem dorme primeiro
na festa de terreiro,
com a cantiga de Luanda.
Caça, vento, cada furo
na bagana de uma chave
nessa cana que invade o escuro
e liberta a ciranda
na sonora melodia sem demora
que preenche o ambiente
com o tônus de uma ária
deste colmo de bambu
e de corpo braquiária.
Bate, vento, cem por cento
bem lá dentro deste caule
e espalha a sonora
que dormia lá no balde
a espera de um momento
que tornasse valiosa
a estrela escondida
no borralho dessa vida
congelada de demora.
Manda, vento, esse canto
onde a bula que atua
lá na rua em prol do esquecimento,
seja sucumbida nesse movimento
e consiga  audiência
numa onda de freqüência
tão precisa que até
quando improvisa
sempre faça encantamento.



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