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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Árvores e Telhados
No luar em círculo - a inscrição das águas do rio.
Do rio à nuvem - a natureza em seu estilo.
Mas, fitá-la em seu esplendor e de modo discreto
requer a remoção do azinhavre dos mistérios.
Pois quem espia a fechadura busca
a imagem além da curva.
Busca um cortejo de palavras ocultas
porque palavras, ainda que palavras,
não dizem muita coisa
quando apagadas nuvens escondem o luar atrás da moita,
quando a aurora radiosa boicota o seu rosa,
quando o olhar espichado não alcança o telhado.
Segue-se então a rota perigosa da curva
recolhendo seus cheiros e gasturas
justificadas pela fome de lua.
Mas onde está a lua?
Está gozosa e aberta na suburbana noite.
Está corcunda e enrugada no crepom metropolitano
e, sobretudo, agasalha-se nas árvores escuras.
Naquelas em que o mistério é um proclama,
naquelas em que a palpitação da vida raiou-se soberana.
.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
A luz dos mistérios
Quando eu me
recordar das velhas canções
que já cantei e
nelas localizar os desvios e desvãos
de tantos nãos,
talvez eu me
arrependa do tanto que me enganei
e repita, como
numa reza, as antigas promessas,
mas, por hora,
tenho comigo que os enganos
deste meu modo de
ser tão humano
em sua
insistência de tartaruga
na longa jornada
pela infinita rua
são a raiz
magnífica de tudo.
Por isso, eu sigo
e não me culpo.
Vou sem pressa e
lentamente
feito uma criança
que desperta
e ao olhar à sua
volta, desatentamente,
não repara a luz
da janela
nem os detalhes
do quarto dela.
Quando eu me
recordar de velhas canções
que descortinam a
vida
e das desilusões
nela tão repetidas,
talvez eu queira
me esquecer de tantas
cidades cruzadas
e das vezes em que, na madrugada,
quando mais
distraída estava a alma,
deixei de vigiar
a enchente
e, em minhas
incapacidades de gente,
muitas vezes, me
fiz de valente.
Quis ser o que
não era para romper
o inverno em
primaveras
e conquistar,
outra vez, sem alarde,
esta fugaz
sensação de felicidade.
Quando eu, uma vez
mais, quiser desvendar tudo
naquela ambição
de abarcar o mundo
e quiser penetrar
no império que há na luz dos mistérios
onde residem as
respostas
feito trilhas
limpas na escuridão morta,
talvez eu saiba
comemorar este tesouro que ainda
desconheço e sempre
me convenço de que o mereço.
Este enredo que
não sei e que me aguça aos sentidos
num indefinível
sussurro aos meus ouvidos,
este lago
guardador de atlântidas,
esta alegoria
epifânica, este algo imenso e duradouro,
que me persegue
feito um touro
na eternidade
desta arena.
.
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