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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Canção do Exílio

                   














                   Para Vinícius Cabral, um menino de ouro

A minha saudade daquela paisagem
caminha ao lado da coragem
de vencer os percalços
na escalada para o alto
em trilhas de pedras
e espinhos de um único caminho
porque lá em cima,
perto das nuvens,
está o meu ninho de passarinho.

Meu leito acolchoado me espera
quente, suavizado e confortável
neste lugar de palmeiras
e sabiás inimagináveis,
onde amigos muito mais
que amáveis assopram
a gentileza amorosa numa flauta.

Mesmo distante, de vez em quando,
vem de lá a música instigante
e o sentido adormecido
acorda por um instante maravilhado
com tamanha beleza, suspira,
e glorifica a vida no que deseja.

Quer inundar-se daquela luz tão alta
e vestir-se dela para viajar
na claridade das esferas,
onde o vento encantado da flauta
faz rodopios em redemoinhos
e por vezes enche de esperança
o coração cansado de um peregrino.




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sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Curupira











Não existe sombra por onde se esconda
algum covarde, pois que em toda parte
há um curupira que tira e destrava armadilhas,
há um lobo guará capaz de um fogo
que consumirá a montanha da base ao topo
numa façanha de pequeno esforço.
Para todo mistério oculto
que se enovele num vulto
no fundo de um vale onde dormem jazidas,
existe aquele dia que um dia chegará.
Antes mesmo que a luz da manhã se revele
abrindo a nave, a voz da verdade
há de  intimar tudo o que  antes vivia
no confinamento dos constrangimentos
e, por absoluta necessidade,
alguma mentira há de esgotar a vida
por não haver outra maneira
de encolher-se costumeira em planos
de enganos e intrigas.


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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Prece






















Oh, Mãe Carinhosa, seja tua resposta
na última hora de súplica lacrimosa
o conforto e refúgio no porto
a quem te procura à deriva.
Assopra teus lábios de rosa numa brisa
que alivia, oh Auxiliadora e Magnífica!
Que tua luz bendita faça-se facho,
guiando os nossos passos,
oh Espelho de Justiça!
Vagueia por sobre as nossas casas,
Imaculada, entornando tua graça
e recolhendo angústias em cimitarras!
Leva para o Alto a prece sussurrada em
cada pensamento que pede ou agradece.
Livra-nos do perigo do inimigo conhecido
e desconhecido e faça dos raios de Sol
de tuas vestes, a nossa esperança para
um novo arrebol onde sejam todas
as nossas lutas, o ingresso na vitória futura!

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terça-feira, 23 de julho de 2013

LUMINESCÊNCIA






















vagalume
vaga sozinho
na amplidão
tem na lanterna
o coração

vaga longe,
vaga fundo
velejando
muitos mundos

vega longe
vaga perto
porque o mundo
é deserto

avenida
muito longa
é a vida
onde a sombra
é uma ida

lume solto
pulsa e some
nunca diz
o seu nome

lume claro
aparece
onde chega
minha prece:

Que a saúde seja sempre
o meu melhor presente!


...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Pedra da Lua

















Lua, mulher, menina,
Com teu clarão me ensinas
Um rumo na noite
Um prumo sereno
Por onde vão meus passos
Sempre descalços
Nem sempre cansados
Nem sempre terrenos
Extraindo amor das pedras,
Abrindo em dias os medos,
Oh, lua dos meus segredos,
Derrama clarão em mim!

Tua luz é alimento,
É trilha dentro do tempo,
É música no coração.

E um coração encantado
Pode encantar o mundo,
Pode descer no fundo
Sem se apagar.

O coração de quem canta
É mais que uma garganta,
É luz da lua santa,
É estrela que abraça o mar.

Lua, mulher bendita,
Clareia a minha vida
Para que outros escuros
Eu possa iluminar.


* musicado pelo compositor Elizeu Gabriel


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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A luz dos mistérios














Quando eu me recordar das velhas canções
que já cantei e nelas localizar os desvios e desvãos
de tantos nãos,
talvez eu me arrependa do tanto que me enganei
e repita, como numa reza, as antigas promessas,
mas, por hora, tenho comigo que os enganos
deste meu modo de ser tão humano
em sua insistência de tartaruga
na longa jornada pela infinita rua
são a raiz magnífica de tudo.
Por isso, eu sigo e não me culpo.
Vou sem pressa e lentamente
feito uma criança que desperta
e ao olhar à sua volta, desatentamente,
não repara a luz da janela
nem os detalhes do quarto dela.

Quando eu me recordar de velhas canções
que descortinam a vida
e das desilusões nela tão repetidas,
talvez eu queira me esquecer de tantas
cidades cruzadas e das vezes em que, na madrugada,
quando mais distraída estava a alma,
deixei de vigiar a enchente
e, em minhas incapacidades de gente,
muitas vezes, me fiz de valente.
Quis ser o que não era para romper
o inverno em primaveras
e conquistar, outra vez, sem alarde,
esta fugaz sensação de felicidade.

Quando eu, uma vez mais, quiser desvendar tudo
naquela ambição de abarcar o mundo
e quiser penetrar no império que há na luz dos mistérios
onde residem as respostas
feito trilhas limpas na escuridão morta,
talvez eu saiba comemorar este tesouro que ainda
desconheço e sempre me convenço de que o mereço.
Este enredo que não sei e que me aguça aos sentidos
num indefinível sussurro aos meus ouvidos,
este lago guardador de atlântidas,
esta alegoria epifânica, este algo imenso e duradouro,
que me persegue feito um touro
na eternidade desta arena.




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