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domingo, 25 de maio de 2014

Telhados


















A paisagem infinita dos telhados e cúpulas
guardam a alegria infinita da vida.
Os grafites dos muros guardam esfinges
e as bocas feridas de frio
saúdam a multidão imaginária.
Mas pode-se conquistar o céu
no vento suave de um janeiro qualquer.
Longe dos olhares intrometidos
e do teatro das marionetes
pode-se desejar todas as coisas lindas,
todas as imagens plantadas na memória
pela televisão e pelas novelas.
Do outro lado, pode-se beijar em público
sem as faíscas dos olhares.
Pode-se cometer indecências em beijos e risos.
Pode-se confiar que tudo dará certo além das palmeiras
povoadas por cachos de cabeças que olham para baixo.


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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Árvores e Telhados






















No luar em círculo - a inscrição das águas do rio.
Do rio à nuvem - a natureza em seu estilo.
Mas, fitá-la em seu esplendor e de modo discreto
requer a remoção do azinhavre dos mistérios.

Pois quem espia a fechadura busca 
a imagem além da curva.
Busca um cortejo de palavras ocultas
porque palavras, ainda que palavras,
não dizem muita coisa
quando apagadas nuvens escondem o luar atrás da moita,
quando a aurora radiosa boicota o seu rosa,
quando o olhar espichado não alcança o telhado.

Segue-se então a rota perigosa da curva
recolhendo seus cheiros e gasturas
justificadas pela fome de lua.

Mas onde está a lua?
Está gozosa e aberta na suburbana noite.
Está corcunda e enrugada no crepom metropolitano
e, sobretudo, agasalha-se nas árvores escuras.
Naquelas em que o mistério é um proclama,
naquelas em que a palpitação da vida raiou-se soberana.


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