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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Astrologia














O Natal sideral é sem limite.
É sem fundo e sem alto,
sem frente e sem costas no que existe.
Aqui na Terra, é cheio de brilhos,
cheio de compras, luzes e vidrilhos.
O seu barulho se faz nos hinos,
na ceia, e nos festejos de um zelo
que faz com que ele seja esquecido
no fundo das palhas de um celeiro.
Enfraquecido e imperceptível,
seu palácio considerável
fica escondido junto com as estrelas
e  os corpos celestiais do céu perfeito
que tem por costume, em seus feitos,
escutar os queixumes e desejos dos mortais.

Para o mago que persegue ensejos,
mesmo que o destino não seja claro,
a esperança dos desejos no
cisco debulhado, faz da agulha
no palheiro a grande preciosidade no espaço vago.
O mago aposta na rota imprecisa de um cálculo
que não tenha por base a física ou a astronomia,
mas a jornada íntima e intuitiva que disponibiliza
a confiança no Alto como alvo a ser buscado.
Isso, porque cada ser vivente, na rotina dos espantos,
navega continuamente no que possui de planos.
Entretanto, sem considerar o salto interior em seu mar,
onde a presença da estrela setentrional 
é o contínuo Natal de cada dia, 
mesmo que os desatentos marinheiros,
na nebulosidade natural, 
avistem apenas a corrente imprecisa
da trilha escorregadia que liga janeiro a janeiro.



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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Céu estrelado















Para dentro da noite e fazendo mistério das coisas
menores, o céu estrelado estende-se em diamantes.
A capacidade em descobri-lo com o pensamento
tem o nome do impossível porque o pensamento
possui a fome dos micróbios em corroer depressa as coisas belas.
É por este motivo que chega gente a toda hora em sua plataforma
vestida para rápidas e estudiosas visitas e
movendo-se no sentido do vento ao fazer torvelinhos.
As visitas duram uma fração de segundo -
apenas o tempo curto de um piscar de olhos
pois o céu, mesmo sendo eterno em sua vastidão,
necessita distribuir-se à ânsia de todos os olhares enfileirados.
Nas coisas menores, a terra mansa também deita-se
na precariedade de seu destino, imitando uma cúpula reluzente.
Mas aos dois, céu e terra, um silêncio profundo paira
para os que os testemunham sem respostas a tantas perguntas.
O tempo é imparcial e assopra o mistério secular no cumprimento
de quem passeia à tardinha devagar.
Em cada passeio espera-se pela noite e pelo céu
com o coração enfeitado com as cores do poente
e a os pés descalços aquecidos pela manhã
porque da manhã mansa, a real esperança  
nunca se desmancha e o pensamento aluado faz contas.
Num gozo de ave agasalhada em algum galho,
recolhe-se ao final das tardes,
coleciona encantos em seu embornal de humano.
Então a razão – impossível não desconfiar - é insuficiente
para desvendar os grandes mistérios da Natureza
se o céu, a terra, a noite e o tempo estão
enigmaticamente misturados numa emulsão
decifrável apenas para aqueles que fazem uso das vias da intuição.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Os números imaginários

















Os números imaginários estão, agora mesmo,
numa realidade onde o luar é intenso
e, por isso mesmo, escapolem do bom senso
daqueles que se julgam na racionalidade.
Não haveria, em um número imaginário,
o padrão aceito pelos normais
pois na gruta em que vive, ele ainda
se oculta no jamais até que venha
a descoberta futura.
Para se chegar até esses números
é necessário embarcar-se numa viagem
mais intuída do que constatada,
pois os números imaginários
escondem-se atrás da folhagem
de uma imensa árvore cortinada.
Os números imaginários habitam
o sentimento de infinito que reduz
tudo o que sabemos a um cisco
na resposta misteriosa que não se prosa.
Alcançá-la, significa desmanchar o ferro
das antigas envergaduras em nome de um
passeio inseguro na aventura de uma nova busca.
Os números imaginários estão onde estão
todos os que se foram e aqueles que ainda chegarão.
Em seu corpo algebricamente fechado há uma fenda
por onde escapam soluções em oceanos
que visitam e alagam os nossos sonhos.
Depois de molhadas pela ideia,
as imagens formam uma melopeia
e galopam mundo afora abertas
na evolução das descobertas.
Porque não ocupam nenhum espaço ou posição
definida na sabedoria infinita, os números imaginários
não se auto-proclamam e nem se dizem.
São evidentes, embora sejam reticentes...
Os números imaginários moram no acaso e são mágicos.
Nascem da sorte de um segredo como que
por um descuido tivesse sido revelado.


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