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domingo, 24 de dezembro de 2017

Feitiço















Surgindo ao luar a máquina estelar
inexata e ampla produz diamantes
em qualquer lugar.
O palácio plácido azulado
abre-se tal qual vestido
e acaricia os brilhantes olhos
que avistam a multidão cá embaixo
carente de fé e afeto.
O vento soprado do Norte
polvilha a Terra e infla os corações
de uma esperança esquisita.
Depois deposita em cada mão uma flor cálida
e na viração da tarde os pássaros cantam
de um modo diferente e se aninham
no silêncio das almas.
Os pés, a esmo, despertam-se
na sinuosidade de um estrondo irreprimível
e se movem em trilha de uma reta
sem perder a vocação que delira.
A vontade relincha e acredita com vigor
que o porvir se aproxima a passos vagarosos
e realmente decididos.
Então todos, enfim, sentem no peito
a certeza que um Novo Ano se aproxima.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Então é Natal















Porque Ele veio ao mundo em testemunho,
enfatiza-se o verbo nascer, que tem 
o poder de fazer despontar uma semente 
para crescer, pois, toda semente que vinga,
vira planta cuja sina 
é abrir-se em longos braços
nos galhos que hão de cobrir 
quem debaixo dela existir.

Pode-se profetizar pelo sinal,
que há debaixo da sombra do Natal,
o bem guardado em termos de potencial
que se imagina existir detrás das cortinas
da humanidade, apenas esperando a hora
de despontar-se numa aurora na forma verde 
de uma planta que atenda 
pelo nome de esperança.

Profetiza-se o transito no corredor,
onde a força e o poder do Amor
poderá inspirar tudo o que há de bom
no fôlego grande de um acordeom
e uma via luminosa feita só de rosas
que, no seu ofício de ponte, nos conduza 
para onde estiver nossa busca constante por uma
estrela que aponte a verdadeira casa da realeza.

Profetiza-se a substância da novidade
no travo precioso de um vinho,
que lembre o calor de um ninho
como a verdadeira morada da felicidade
a embriagar todo aquele que anda e canta
e que, mesmo na dificuldade, se levanta
e, com um profundo suspiro, organiza-se
na crença de que possa fazer
esse mundo parecer um pedaço de paraíso.



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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Astrologia














O Natal sideral é sem limite.
É sem fundo e sem alto,
sem frente e sem costas no que existe.
Aqui na Terra, é cheio de brilhos,
cheio de compras, luzes e vidrilhos.
O seu barulho se faz nos hinos,
na ceia, e nos festejos de um zelo
que faz com que ele seja esquecido
no fundo das palhas de um celeiro.
Enfraquecido e imperceptível,
seu palácio considerável
fica escondido junto com as estrelas
e  os corpos celestiais do céu perfeito
que tem por costume, em seus feitos,
escutar os queixumes e desejos dos mortais.

Para o mago que persegue ensejos,
mesmo que o destino não seja claro,
a esperança dos desejos no
cisco debulhado, faz da agulha
no palheiro a grande preciosidade no espaço vago.
O mago aposta na rota imprecisa de um cálculo
que não tenha por base a física ou a astronomia,
mas a jornada íntima e intuitiva que disponibiliza
a confiança no Alto como alvo a ser buscado.
Isso, porque cada ser vivente, na rotina dos espantos,
navega continuamente no que possui de planos.
Entretanto, sem considerar o salto interior em seu mar,
onde a presença da estrela setentrional 
é o contínuo Natal de cada dia, 
mesmo que os desatentos marinheiros,
na nebulosidade natural, 
avistem apenas a corrente imprecisa
da trilha escorregadia que liga janeiro a janeiro.



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