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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A mão que estende













As bananeiras na beira da estrada
oferecem cachos de banana maçã,
marmelo, ouro e prata
que poderão pertencer a quem passa
tendo à mão um facão ou faca.

Aquele que lavrou a terra,
utilizando a enxada
da mesma forma que a caneta
lavra a palavra
será de todo esquecido
e o seu cultivo não será lembrado
quando o cacho de bananas for subtraído.

O mandiocal evoluído
onde não há cerca
nem limite que se queira,
poderá ser invadido
por qualquer indivíduo
que assim deseja
e o labor do sujeito oculto
que na lavoura é um vulto
será detalhe desconsiderado
na avidez vantajosa do furto.

E assim, a atitude do ladrão
em pequenas coisas
ajuda a formar a moral doida
cujos valores éticos,
na chaga profunda,
não encontra antisséptico.




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domingo, 9 de julho de 2017

Aristóteles














Aristóteles dizia
lá na sua Grécia Antiga
que servir toda cidade
é uma filosofia
em que verdadeira música
é o canto da república
com a democracia
se exercendo em primazia.
Mas hoje tão somente
o que se vê infelizmente
é a Arte da Política,
corrompida e sifilítica,
no discurso de interesse
de quem pede em falsete
um bilhão de confiança
na eleição de sua conta.
E na lama chafurdada,
a moral abandonada
serve a taça sedutora
que corrompe a pessoa
e seduz um parasita
que assume a mania
pelo voto todo dia,
e caça presas distraídas.

Tapa no pernilongo
que se faz tão soberano
com sua flecha de vampiro
e seu som de violino.
Bomba de inseticida
em sanguessuga e fantasia
na promessa e na mentira
que entorpece a rebeldia.

Abram-se as gavetas
dos barões e das duquesas
e o ouro lá guardado
seja ao povo destinado
na saúde e moradia,
na educação urgente,
no respeito ao indigente,
na Justiça que nos guia.


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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Candonga















Candonga mexerica fica, fica,
fazendo narrativa todo dia
das coisas que acontecem mundo afora,
da nuvem que vagueia sobre a aldeia
no telejornalismo dito e escrito.

No corpo da notícia que importa
há sempre um interesse de cartola
e o dedo gerencia o que cita
e o que se silencia ou se esconde
aonde alguma fala não responde.

E assim a mexerica candongueira
engana com seu cheiro maquilado
do que se vê vazado na peneira
pra quem se acomoda confortável
em seu sofá de sala, escutando
o que a TV lhe conta sobre o dia
das coisas de Brasília e do Senado,
da fala teatral do deputado
que na ideologia se afirma
o grande herói da pátria flagelada,
mas povo não é égua, não é bobo,
e sente o cheiro falso da mentira
e faz da rua a casa em que habita
na força que desmente a mexerica.



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sábado, 18 de março de 2017

Há de haver














No planalto central,
urubus do legislativo
fazem voo furtivo inaugural.
Olham de cima a presa de rapina
e querem tudo o que se imagina.
Querem alma, querem ouro,
querem sangue, querem couro.
Mas há de haver alguém honesto.
Por isso, eu me manifesto.
Há de haver esperança no baralho
que defina algum trabalho
e que afaste esse ladrão
abusando de famílias e
de quem busca moradia
com uma fome do cão.

O destino das tripas e do intestino
de pedintes de barriga vazia
dança de mão em mão
e a fila que nunca viu Brasília
e nunca soube o seu azul
na  elegância da cidade,
só sabe da ganância do baú
da felicidade eleitoral
no paraíso do planalto central.


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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Notícias Populares














Natural, a fala é também
petróleo de jornal
onde as pessoas
conversam.

Falam em tinta gráfica
espalhada no papel
reciclável de árvore
dissolvida em novas notícias.

O dígito dos eucaliptos
impressos cheira a novo
no Jornal do Povo
nestas conversas escuras
em noite madura
na sombra da floresta.

E a notícia antiga das coisas escusas
no ralo noturno das promessas
estaria na página Polícia
não fossem específicas,
Mas não, estão em Política. 


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Antúrios espúrios













Na cidade coagulada nada muda.
Existem antúrios espúrios plantados nas ruas,
e a cartilagem do fluxo é calcificada
na geração poderosa que produz a ninhada.

Na arcada da boca está o arco do palácio
para a todo aquele que come mosca,
e o poder cicia a malha de plástico
para cobrir a esperança pouca.

A cidade coagulada e circunscrita no mapa
é inundada numa luz mortiça de alpiste
que atrai o oportunismo das aves de rapina
e o lucro fácil da circunstância persiste.

A rotina estagnada é cozida em banho-maria
e os vultos andam nas noites de berinjela madura.
As casas desabam em enchentes de chuva
muito anunciadas pela meteorologia.


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