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sábado, 7 de novembro de 2015

Vulto de Rosa
















Uma senhora sorri e me olha com olhos fixos
que dizem-me algo
da profundeza dos náufragos
onde a silenciosa alga vive
em forma de bandeira e trabalha
como quem não almeja
a glória fugaz de um espetáculo;
onde cintilam os astros
no fundo mais profundo do vasto pasto
em que não sou ninguém senão um vento,
um quantum de energia, um pensamento...
É sorrindo que ela me olha ternamente
e diz coisas tão lindas e silenciosas,
que o alcance precário das palavras
apenas contempla sua galáxia luminosa.
Pergunto qual é o seu nome
e ela, misteriosa, sorri
nesta expressão tão familiar!
É como se a alma abrisse o seu mar
e uma sinfonia de sereno chegasse num simples aceno
para eu entender coisas que nunca aprendi
dentro desse olhar carinhoso de flecha
com que ela me atravessa e me diz que está aqui.


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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Incontinência
















O telhado do universo é transparente
para uma lei implacável
que desaba escandalosamente nas almas.
O seu ruído de pluma possui
sonoridades de bruma
porque ás vezes é um anoitecer vagaroso
que ao acumular-se adiposo transforma
seus vapores condensados
num rio caudaloso.

O sono das águas é formado
por tempestades e sereno
dos antigos templos
cuja larga sala abrigara
em outros tempos preces e falas.

Por isso o universo é incabível
e incorruptível mesmo quando indiferente.
Põe-se a tecer intrigas a todo instante ciente
e ao entrelaçar os ramos da vida
naquilo que em maior necessidade urge
desabrocha-se lentamente
como quando a rosa surge
e nos diz: - Eu sou aquele que se faz de ausente.


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