O telhado do universo é transparente
para uma lei implacável
que desaba escandalosamente nas almas.
O seu ruído de pluma possui
sonoridades de bruma
porque ás vezes é um anoitecer vagaroso
que ao acumular-se adiposo transforma
seus vapores condensados
num rio caudaloso.
O sono das águas é formado
por tempestades e sereno
dos antigos templos
cuja larga sala abrigara
em outros tempos preces e falas.
Por isso o universo é incabível
e incorruptível mesmo quando indiferente.
Põe-se a tecer intrigas a todo instante ciente
e ao entrelaçar os ramos da vida
naquilo que em maior necessidade urge
desabrocha-se lentamente
como quando a rosa surge
e nos diz: - Eu sou aquele que se faz de ausente.
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