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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Poética






















Ao querer compreender as coisas miúdas,
eu me ponho a catar agulhas,
vasculhando o chão de Vasco da Gama
e minha armada, inflada de vento,
antes de partir, reveste-se de miçangas
na parte de dentro
para navegar triunfante para as costas
e trocar falsos diamantes por novas rotas.

Eu quero caminhos fáceis para alcançar a beleza
sem que os dedos ágeis na mesa
não escondam o ouro, nem a glória
de uma expedição vitoriosa.
Assim, abro a boca e navego vogal afora,
chamando a chuva criadeira de visgo,
para fabricar em minha porta
um outro mundo desconhecido.

E o esmero com o qual trabalho
este mundo verdadeiro e sagrado
é um ofício de joalheiro
na busca de um brilho encantado.
Só então, a realidade rasgada ao meio,
mostrará um pedaço de cena rara.
Aí, feliz, minha armada
resumirá este mundo num verso -
mas não é um mundo qualquer.
É o verso de um mundo em excesso
e em que a ordem requer
a novidade de um processo:

Fazer a decomposição do antigo
em novas reelaborações;
desmontar as partes do brinquedo velho
e fabricar novas conexões
em nostalgias cujas cosmogonias
descortinem o teatro cego.
Por isso, a novidade é sempre velha
numa ordem que versa
mas, nem por isso, a velha realidade
deixará de ser bela.




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