Na Faixa de Gaza,
um
anjo reza no impulso beligerante
e aquartelado de uma cidadela.
Reza numa silenciosa promessa alada,
cuja resposta virá nos momentos difíceis
em que as asas dos mísseis
escapam da cela.
Depois das explosões e da fumaça,
depois da destruição que devasta,
é bem provável que tudo pareça
um vazio de nada.
Então, nos campos onde deitaram-se os corpos,
nascerão flores para receber
continuamente uma nova safra de
gentes.
Nos portos, onde a primavera
da natureza humana nunca se descansa,
haverá outro ciclo de oportunidades
em se desviar dos precipícios
na contínua promessa de felicidade.
O anjo reza sabendo de tudo isso.
Reza, compreendendo o fulcro
das intolerâncias no mar das ignorâncias,
mas, ainda assim, reza.
Confia que a trágica cena de guerra
seja uma pequena flor de inspiração
e esperança em melhores dias
no coração de algum poeta.
.
