Mostrando postagens com marcador espiritual. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espiritual. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Natureza Real













                                           Para Edileila Portes

Aquela mulher que vive no rio
com o corpo escamado em vidrilhos
e mãos magras de domingo,
deita-se rainha ao meu pasmo de menino.
Cada vez que move-se lânguida e solta
no espartilho de lantejoulas,
balança as pétalas de lambaris,
penteia o cabelo de colonião,
sustenta um silêncio de peixe, e ri.
E quando ri dentro do silêncio,
olha-me com olhos fixos de vento
e me revela que existo seco
além de tudo o que é barrento.
Que além dos ossos existo assim
esvoaçante feito um lenço
a navegar espaços recônditos
e lúcidos nos sonhos
abertos do horizonte imenso.
Que o espírito, em seu vagar científico,
é quem vive de fato a natureza real
muito bem camuflada pela razão animal
mas, apesar de oculta,
totalmente absoluta e espiritual.



.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Na antiguidade




















                             Para Karla Nascimento                                                          

Quando eu ainda não tinha idade no
livro da antiguidade, tinha claras lembranças.
Andava rico de personalidade
e pobre de definição, feito criança.

Quando eu ainda não tinha roupas nem sapatos,
sentava-me nu para observar a longa rua
e o ritmo das pessoas, olhando os astros.
Admirava o fluxo vibrante da densidade dos corpos
plantados no mapa e sob um céu de aeropausa.

Quando eu ainda não tinha raízes,
atraía as nuvens magras de algodão leve
sem cintos ou cadarços
que incensavam as pessoas descalças.
Queria ser incensado em finura de fechadura
e evaporar para outros tantos espaços.

Quando eu ainda não era homem
e nem sequer tinha um nome,
guardava a ânsia de encontrar outra alma.
Vagava cantando, chamando por nomes,
pedindo ao azul um encontro de almas.

Foi quando vi você andando distraída,
olhando as borboletas e o jardim sem fim,
admirando as nuvens em formas de querubim,
sonhando um sonho parecido com o meu
e, desde então e sempre, eu sempre fui só seu.






.