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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Criação do Mundo





















Num movimento lento, a calota polar
dança vestida de branco.
A noiva, em flor de laranjeira imaculada
e com o amor de imã,
tem numa caixa um gesto magnético e,
com a voz divina, chama pelo nome,
uma a uma, as ovelhas que pertencem
a seu campo de flores.

A exemplo dos planetas e das palavras,
os íons agrupam seus amores num manto d’água
e a cabeleira da cachoeira
farta-se entre as pedras e palmas.

São as eras, uma a uma, as próprias ovelhas.
Na primeira, a engrenagem estática gira o moinho e,
num torvelinho, aparecem os minerais,
o vírus, a bactéria e os projetos de alma.
Na segunda, as moléculas agrupam-se,
e surgem as plantas mais simples e os animais.
Na terceira, há esta música misteriosa
na atmosfera gasosa: música mágica,
constituída de intestinos e pernas,
cujo destino sempre perguntará pelo seu nome:
o próprio homem.


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