Num movimento lento, a calota
polar
dança vestida de branco.
A noiva, em flor de laranjeira
imaculada
e com o amor de imã,
tem numa caixa um gesto magnético
e,
com a voz divina, chama pelo
nome,
uma a uma, as ovelhas que
pertencem
a seu campo de flores.
A exemplo dos planetas e das
palavras,
os íons agrupam seus amores num
manto d’água
e a cabeleira da cachoeira
farta-se entre as pedras e
palmas.
São as eras, uma a uma, as
próprias ovelhas.
Na primeira, a engrenagem estática
gira o moinho e,
num torvelinho, aparecem os
minerais,
o vírus, a bactéria e os projetos
de alma.
Na segunda, as moléculas
agrupam-se,
e surgem as plantas mais simples
e os animais.
Na terceira, há esta música
misteriosa
na atmosfera gasosa: música
mágica,
constituída de intestinos e
pernas,
cujo destino sempre perguntará
pelo seu nome:
o próprio homem.
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