Um dia, numa
bacia esmaltada,
meu umbigo bailava.
Bailava o meu umbigo inocente
pois não sabia ele das tentações da vida.
Navegava feito nau sem rumo
pois ele não era ele e nem eu era eu.
Depois, a nuvem leve dos muitos eus me
fez artefato que às vezes chove sem parar
e perdi a alma dispersa na ventania,
e criei espessuras para o meu passeio de rua.
Amealhei meus gravetos numa armadura dura
e fiquei vigilante do mundo
sem aquele olhar celeste que só os anjos têm -
os anjos, que são ninguém em sua candura.
E criei uma crosta terrestre feita de ferro
e vértebras que se erguem distintas dos outros,
que se admiram no espelho d’água
e se afogam manhãs inteiras a pentear cabelos.
meu umbigo bailava.
Bailava o meu umbigo inocente
pois não sabia ele das tentações da vida.
Navegava feito nau sem rumo
pois ele não era ele e nem eu era eu.
Depois, a nuvem leve dos muitos eus me
fez artefato que às vezes chove sem parar
e perdi a alma dispersa na ventania,
e criei espessuras para o meu passeio de rua.
Amealhei meus gravetos numa armadura dura
e fiquei vigilante do mundo
sem aquele olhar celeste que só os anjos têm -
os anjos, que são ninguém em sua candura.
E criei uma crosta terrestre feita de ferro
e vértebras que se erguem distintas dos outros,
que se admiram no espelho d’água
e se afogam manhãs inteiras a pentear cabelos.
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